Olhai os lírios do campo
15 Abril, 2007 by Rusimário Bernardes
Não é por maldade, mas insistimos em dar notícia sempre das coisas más que acontecem em nossas vidas e na sociedade. Quando nos encontramos com um amigo, vamos fazendo os cumprimentos corriqueiros, damos uma ou duas notícias boas e abrimos o verbo no que tem acontecido de ruim e catastrófico.
É incrível, o mal tem mais espaço na mídia que o bem. Os telejornais, jornais impressos, revistas e demais meios de comunicação espelham o que ocorre cotidianamente conosco: damos mais destaque ao que ocorre de ruim. É muito comum acabarmos de assistir a um telejornal e ficarmos com aquela impressão de que o mundo está se tornando um lugar, cada vez mais, violento e assustador.
A violência existe e devemos combatê-la. E uma das formas de iniciar esse processo é tomando conhecimento dos fatos, porém, da forma como estamos levando, só ficaremos nesse primeiro passo: o de tomar conhecimento das coisas más. E quando isso ocorre, cria-se um ciclo vicioso e cada qual quer apresentar uma notícia pior do que o outro. Quanto pior, mais novidade. Vamos ficando menos sensíveis às tragédias e nos acostumando tanto com essas experiências ruins que começamos a aceitá-las como parte de nosso dia-a-dia. Nos acostumamos tanto com as notícias ruins que, ao invés de articularmos ações que transformem essa realidade, nos tornamos meros expectadores, passivos, entregues e omissos.
A primeira atitude a ser tomada para evitar esse ciclo vicioso de acomodação é enxergar melhor a realidade que nos cerca. Olhai os lírios do campo. Parem. Façam uma pausa, ouçam o milagre da vida a nossa volta. Acredito que, definitivamente, o bem está mais presente em nossas vidas do que o mal. E para constatar isso é muito simples, temos apenas que olhar com um pouco mais de cuidado o que nos cerca.
A flor que nasce discreta numa fresta entre o asfalto e o meio-fio, numa luta desproporcional vive, traz beleza ao mundo e só pede um olhar. A criança que dá seus primeiros passos, emite suas primeiras palavras, corre com um sorriso largo para abraçar o pai e dar-lhe todo carinho do mundo. Um enfermo que consegue se recuperar, uma cirurgia bem sucedida, a vida prolongada. Os milagres insistentes da natureza, diários, como a lua gigante e brilhante que, festiva, nos convida a contemplar esse mundo de Deus. O vento que sopra nossos calores, espalha as sementes, nos traz novos odores. A água cristalina que leva embora nossa sede, alivia nosso corpo e traz paz e conforto.
Os milagres são tantos, as notícias boas são infindas, estão presentes em nossos segundos, em nossos lares, no seio de nossas vidas. É preciso propagar, abrir os olhos da simplicidade, divulgar o que é bom, de fato. Precisamos noticiar o bem, contar as maravilhas de nossas vidas, os milagres diários e extraordinários que nos são apresentados. Saibamos abrir nossos olhos e enxergar o óbvio: o bem inunda nossas vidas.
Somente com essa clareza de percepção é que poderemos aproveitar tudo de bom nesse nosso mundo de Deus e nos provermos de forças para superar com firmeza nossas adversidades. Cientes do nosso mundo verdadeiro, poderemos, unidos, gerir esforços para combater os acontecimentos ruins. Tonificados pelo ânimo do bem e de toda a bondade que nos cerca, somos capazes de adquirir as forças necessárias para alterar nossa realidade de modo que as notícias ruins sejam verdadeiramente encaminhadas para uma solução positiva e eficaz.
Alguém disse certa vez que, para mudar o mundo temos que começar por nós. Então, comecemos a espalhar as notícias boas, a vivenciar e promover o bem. Que assim seja.




