E o direito venceu.

Independente de nosso voto neste último 15 de novembro, fizemos a escolha pelo direito de possuir uma arma de fogo. Mesmo os que foram contrários, de uma forma ou de outra, também são responsáveis pelo resultado. Já ouvi dizer que para toda escolha há que se pagar o preço. Também já ouvi dizer que a oportunidade não é insistente.

 

Sou favorável sempre à liberdade, ao Estado de Direito. Mas não conseguimos viver em total liberdade. O que são regras, leis, senão mecanismos que nos inibem e ou impedem que façamos aquilo que estamos com desejo. Nossas atitudes sempre estarão ligadas ao outro e o que ele pensa a respeito. Ao que pode trazer transtorno a ele e aos seus. Necessitamos de medidas, de limites.

 

Lembro-me do filme "Rapa Nui - Uma Aventura no Paraíso”, considerado um filme medíocre pela critica, porém recebendo boas considerações pelo trabalho de pesquisa, me pareceu um bom filme para nos mostrar do que somos capazes. No filme, um indivíduo levanta uma bandeira e trabalha para convencer sua gente que devem segui-lo. Ao final, quando conseguem instalar o que querem, constatam no que se tornaram. Há um luta do sim e do não, do certo e do errado, do direito, da liberdade. A quem interessar, vejam com outros olhos.

 

* “vejam com outros olhos” – há frase mais magnífica que esta?

 

Também ouvi dizer que a vida não é um filme. Bem, mas nos filmes, acredito, podemos vivenciar saberes e posturas de diversas pessoas e culturas. Este fato, por si só, já torna o cinema um veículo de transformação.

 

Lembremo-nos que um dia já tivemos o direito de comprar indivíduos e ser donos deles, direito de bater, de humilhar, de privar de condições básicas de sobrevivência. Já tivemos o direito de soltar uma bomba sobre Nagasaki, Hiroshima. Já tivemos o direito de matar, queimar, expropriar milhões de índios nas Américas.

 

Não vou enumerar aqui todos os direitos que já tivemos e que punham em risco a vida de outras pessoas. Gostaria de lembrar apenas, que em ambas as situações, estávamos cobertos da certeza de estarmos agindo da melhor maneira possível.

 

Hoje, passados tantos séculos, tantos descobrimentos, resolvemos escolher entre a oportunidade de diminuirmos a quantidade de armas de fogo em nosso meio e iniciarmos um processo para o fim desse tipo de agressão ao indivíduo e a possibilidade de possuirmos um mecanismo que é capaz de tirar a vida de um ser humano com um simples toque.

 

Fizemos a nossa escolha.

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