Mobilização Nacional ?

Dia 23 de outubro de 2005 será um dia único na democracia brasileira. O referendo popular para proibir ou não a comercialização de armas e munições terá seu veredicto pela massa eleitoral da nação.

 

Algumas questões merecem destaque neste último dia que antecede ao referendo. Até que ponto a população está esclarecida da questão? O quanto a população recebeu de informação? Qual a qualidade da informação repassada? Que papéis tiveram os organismos governamentais e, principalmente, os não-governamentais?

 

Estas questões são cruciais a um verdadeiro processo democrático, contrapondo a democracia de fachada. Não há como negar que uma população despolitizada, com educação baixa ou de baixa qualidade absorve um determinado grau de indução no processo de decisão.

 

O que se verifica há poucas horas do início do referendo é uma mobilização abaixo do que o momento histórico, e o que se está em jogo pedem. É triste observar a falta de amadurecimento da mídia e dos veículos de informação. Até parece que estamos há algumas horas da eleição da Garota do Bairro. Pouca mobilização, argumentação fraca, falta de profissionalismo da informação e omissão dos meios de comunicação.

 

Guardadas as devidas ressalvas e raríssimas exceções, independente do resultado, o referendo está expondo a quem se interessar possa, o retrato fiel do estágio democrático, de nossas instituições de ensino, de nossas instituições públicas e privadas e, muito mais do que tudo isso, de nós mesmos.

 

A força da desinformação e da ocultação dos interesses pessoais e particulares sob a chancela da informação contundente e necessária, faz com que a refém população abrace a causa que lhe parece mais segura no momento. Diria que, nestes termos, até a pena de morte seria aprovada.

 

Infelizmente, contra as forças maiores dos interesses pessoais, só há uma ferramenta realmente eficaz, o ensino de qualidade, crítico, construtivo, reflexivo. Não há como deter o emaranhado de estratagemas de uma noite para o dia, mas se faz necessário que as estruturas se movimentem para o início de um mundo mais introspectivo, mais calmo, contemplativo.

 

Parem. Por que a correria?

 

Por que do medo? Por que a ganância?

 

Se estamos no mesmo barco e recebemos ordens, mesmo assim seguimos o que acreditamos e o destino está em nossas mãos. Seja lá onde formos julgados, o seremos pelas nossas ações, somente as nossas. Independente disso, a História será implacável.

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